EntrevistaAs relações atuais de trabalho ainda fazem sentido?

10 de julho de 2020por Artesania0
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“A empresa precisa ter claro o seu propósito, transmitindo de forma transparente, a fim de fazer sentido a cada profissional, mesmo se a decisão for eternizar o home office, por exemplo”. Este “fazer sentido” tem sido um dos pilares para medir o fator emocional dos colaboradores em tempos de pandemia, como explica Solange Azambuja, Vice-Presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos no Rio Grande do Sul (ABRH-RS). “Em cenários de crise, o colaborador poderá sentir confiança de que está dedicando seu tempo a uma organização que sabe transitar em tempos de abundância e tempos de restrições”.

Em nossa série sobre impactos da Covid-19, o escritório Machado França Advocacia abre espaço ao comportamental nas organizações. De entender se ainda há equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, flexibilidade, e até de oportunidades de progresso nas empresas.

Segundo a ABRH-RS, o tempo exige aos líderes que tomem a frente, tornando-se um escudo nestes momentos difíceis. “Orientações claras, ambiente de trabalho dentro dos protocolos de saúde e acima de tudo que os profissionais confiem nas lideranças de suas empresas”.

 

Essência

A ABRH-RS foi fundada em 19 de setembro de 1972 com o objetivo de congregar profissionais de Recursos Humanos. Hoje, a entidade possui mais de 1.300 associados entre pessoas físicas e jurídicas, reunindo empresários, profissionais, consultores e estudantes.

A entidade abrange todas as questões que integram a gestão e o desenvolvimento de pessoas a partir da disseminação do conhecimento. A entidade integra a ABRH-Brasil, formada por outras 22 seccionais em todo o país.

 

Análise da ABRH-RS. Crescimento de casos da Covid-19, fechamento do comércio e serviços, bandeira vermelha na capital. Qual a temperatura atual das empresas no Rio Grande do Sul e Porto Alegre?

Estamos vivendo tempos de muitas incertezas, muitas correntes de pensamentos sobre a gravidade desta pandemia, considerando os cenários sociais e econômicos. O movimento é de recuo e avanço; de ir e vir. Ainda há muita instabilidade e insegurança. Temos uma equação muito difícil de se resolver. Neste contexto de crise, a colaboração, a comunicação, a resiliência e a confiança são elementos importantes para que as  decisões tomadas pelas lideranças  governamentais faça sentido para toda a sociedade.

 

Está sendo possível medir o fator emocional dos colaboradores neste período? Como calibrar o medo da mudança ou mesmo da demissão nos profissionais?

Difícil ter uma aferição precisa, pois são muitas as variáveis emocionais. De toda a forma é preciso manter uma comunicação saudável com os colaboradores com mensagens referentes a cuidados com a saúde, orientações claras, ambiente de trabalho dentro dos protocolos de saúde e acima de tudo que os profissionais confiem nas lideranças de suas empresas.

Para isso é fundamental que os lideres tomem a frente, tornando-se um escudo nestes momentos difíceis. O grande desafio dos líderes é estabelecer uma conexão com sua equipe, já que o trabalho está formado de uma outra forma, a qual não estávamos acostumados, como por exemplo o home office.

 

Quais processos devem ser observados para que os direitos do trabalhador e do empregador sejam resguardados no momento atual? Como o RH pode ajudar na clareza das informações para diferentes públicos?

A área de Recursos Humanos deve ocupar um papel estratégico diante deste cenário, sendo o facilitador do processo, bem como o condutor das melhores práticas, garantindo a saúde física e emocional de todos os colaboradores, bem como a saúde econômica da empresa.

É uma equação delicada para resolver, mas extremamente importante. Também precisa estar atento às lideranças que necessitam ocupar um papel à frente de sua equipe, garantindo a conexão entre todos.

 

Como anda a mediação nas relações de trabalho com os colaboradores? Home Office, lay-off, férias coletivas, suspensão de contratos e redução de salários. Há modo certo de tomar / comunicar tais ações nas empresas?

Cada empresa está adotando as medidas que mais se adaptam ao seu negócio, bem como a sua cultura, suas restrições e suas possibilidades. Neste cenário de crise não existe a forma mais correta, mas podemos dizer que o mais correto é o que garanta a preservação da saúde dos colaboradores e a continuidade de uma empresa. É preciso uma análise detalhada de todas as MPs vigentes e utilizá-las no momento certo da melhor forma possível.

Como aliar uma forte marca empregadora para atrair e reter profissionais?

Mais do que nunca, para atrair e reter os profissionais, a empresa precisa ter claro o seu propósito, transmitindo de forma transparente, a fim de fazer sentido a cada profissional, assim como precisa garantir a conexão entre todos, mesmo se a decisão for eternizar o home office, por exemplo.

Precisa também demonstrar sua habilidade de atuar em cenários de crise, pois assim, o colaborador poderá sentir confiança de que está dedicando seu tempo a uma organização que sabe transitar em tempos de abundância e tempos de restrições.

Como o RH pode impulsionar a transformação do negócio revitalizando o conhecimento nas áreas mais estratégicas da empresa?

Pensando estrategicamente, revendo processos, propondo e  monitorando a transformação digital nos segmentos onde isso for possível.

 

Equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, flexibilidade, além de oportunidades de progresso na empresa. Tais conceitos e metas ainda são viáveis aos profissionais em tempos de pandemia?

Esses conceitos sempre são viáveis, em qualquer tempo. Talvez neste momento de pandemia, possamos perceber com maior nitidez as oportunidades de progresso de uma empresa e as possibilidades de mudanças nas relações de trabalho e da vida pessoal.

 

Quais as lições que a entidade tem passado às empresas como reflexão para o pós-pandemia?

É o momento certo para revisitar todas as áreas da vida das pessoas e das organizações e quem sabe, fazer novos “contratos” nas relações para que surja verdadeiramente um novo tempo. Também estamos aprendendo que podemos continuar sendo humanos mesmo em tempos de crise, e que precisamos apenas nos reinventar, considerando nossos valores e nosso propósito.

 

Crédito: Artesânia Comunicação Jurídica

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