ComércioBares e Restaurantes – Setor no Epicentro da Pandemia

26 de junho de 2020por Artesania0
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Uma cadeia de 15 mil estabelecimentos distribuídos em 442 municípios, com 84.580 empregos gerados. Os dados do número de bares e restaurantes em todo o Rio Grande do Sul são ainda mais expressivos na capital, que concentra 21,7% dos empreendimentos em alimentação e 32,5% dos postos de trabalho do setor.

A bandeira vermelha em Porto Alegre coloca o setor literalmente no epicentro da pandemia da Covid-19. Nesta semana, Maria Fernanda Tartoni, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Rio Grande do Sul (Abrasel RS) trouxe o termo sobrevivência. “Torcemos para que os restaurantes consigam sobreviver a mais esse retrocesso”. Em nossa série especial sobre impactos e cenários no comércio, acompanhe uma entrevista exclusiva sobre empregos, saídas e visão de pós-pandemia.

 

Faturamento. Do fechamento à retomada do comércio, qual a análise sobre os impactos aos empresários até aqui? Qual o tamanho das perdas em vendas?

O impacto é gigante, a não ser para aqueles que já desenvolviam um trabalho avançado com delivery, esses inclusive registraram melhoras no formato. Para quem não tinha a opção de delivery, o impacto foi muito grande.
Hoje, o empresário está faturando entre 20 e 40% do que ele faturava antes da pandemia, antes do fechamento total. Mas esses valores dependem muito do perfil de cada negócio.

É claro que a gente vê que quando acontecem percalços, como aconteceram agora aqui no RS, das incertezas de continuarmos abertos ou não, refletem nos consumidores, pois eles ficam com maior receio de sair de casa. Mas antes disso começar a acontecer, ficamos três semanas abertos e registramos um aumento, pequeno e gradual, mas um aumento da confiança dos clientes e também do faturamento. Agora com a situação de incertezas, voltamos a ter uma estagnação.

 

Negociação coletiva de trabalho e sobre os custos com folha de pagamento? O que mais é possível fazer para o setor?

A negociação coletiva de trabalho hoje está a cargo dos Sindicatos. Algumas seccionais da Abrasel no país fazem essa negociação, mas aqui no Rio Grande do Sul, não realizamos.

Sobre as questões que envolvem a folha de pagamento nós temos atuado muito fortemente e acompanhando as atualizações. A MP 936, por exemplo, que possibilitou a suspensão e redução de contrato de trabalho, onde fica a cargo do governo o pagamento do salário, foi uma ajuda fantástica e bem importante que salvou muitos empregos e muitas empresas. Aguardamos agora a prorrogação desta medida provisória.

 

Maria Fernanda Tartoni, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Rio Grande do Sul (Abrasel RS).

Qual a leitura atual sobre o mercado? O cliente está consumindo menos?

A gente vem percebendo que existe uma mudança na forma de consumo há bastante tempo e a pandemia veio para acelerar essa mudança, que é o consumo mais consciente. Somando essa nova tendência à queda do poder aquisitivo, que no cenário atual está ainda mais crítico, temos como resultado um menor consumo dos clientes.

O cliente está procurando alternativas e sendo mais certeiro naquilo que ele procura. Então, nós procuramos nos readequar para atendê-los da melhor forma.

 

Das medidas provisórias voltadas à manutenção das empresas e empregos. As demissões estão acontecendo em massa no estado?

Houve algumas demissões sim, mas só não foram em massa em função da MP 936.

 

Como é possível resgatar os empregos perdidos? Bares que demitiram com a pandemia poderão ter gastos ainda maiores com recontratações futuras?

Na verdade, as demissões que aconteceram eram necessárias, ninguém demitiu porque queria. Aqui no RS, em Porto Alegre, especificamente, nós ficamos 60 dias fechados. Um grande quadro de funcionários poderia inviabilizar a operação de muitos estabelecimentos.

Com certeza os gastos vão ser maiores com recontratações futuras, mas o mercado mudou. Não sabemos como vai ser a demanda a partir de agora para recontratações. Infelizmente o desemprego é um problema que está assolando e vai continuar ainda mais no futuro.

 

Delivery e Takeaway. Ainda é uma realidade distante para a maioria dos negócios?
Muitos conseguiram se adequar, claro que não foi fácil começar a fazer um delivery ou um takeaway da noite para o dia. Inclusive ajudamos muitos empresários a fazer essa migração e também os próprios associados ajudaram uns aos outros. Sabemos que hoje essas são as formas de ter um crescimento no faturamento.

O delivery veio pra ficar, o takeaway nem tanto. A gente sabe que cada vez mais as pessoas vão pedir comida em casa, é uma realidade. Por isso, os restaurantes precisam se adequar a este formato.

Qual a análise da Abrasel sobre esta segunda onda de fechamentos do comércio com a expansão da pandemia em Porto Alegre e região?

A gente avalia que será catastrófico para o setor. Os empresários tiraram pessoas da suspensão, repuseram os seus estoques de perecíveis, rearranjaram o seu salão, fizeram um grande esforço para reabrir. Uma segunda onda pode trazer fechamento definitivo e de desempregos também.

 

Quais as orientações para o planejamento da retomada segura das atividades de bares e restaurantes pós crise?

A primeira coisa a se fazer é se debruçar em cima dos custos. O empresário precisa ver onde é possível reduzir os custos fixos, conversar com o locatário pra conseguir mais prazo de redução de aluguel, reavaliar o quadro de funcionários, rever os cardápios trocando por pratos que realmente têm saída, que tenham um bom custo benefício e que sejam realmente importantes para o negócio.

A retomada não vai ser fácil pós-crise, mas acreditamos que aos poucos as coisas vão voltar.

 

Crédito: Artesania Comunicação Jurídica

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