Cenários e Impactos da Covid-19Como está a visão humana das empresas?

3 de julho de 2020por Artesania0
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“Ter a visão humana das empresas é a nossa base para analisar os caminhos mais eficientes e eficazes para implementar soluções integrais dentro das organizações”. A resposta vem de Francisco Bellone, Diretor Executivo da Ana Consulting, empresa de atuação no Brasil e Argentina com mais de 23 mil pessoas avaliadas em mais de 100 empresas, organizações e associações. Mas como formar lideranças, preservar ganhos e alavancar resultados corporativos em tempos de pandemia?

Em nossa série sobre cenários e impactos da Covid-19, o escritório Machado França Advocacia traz um olhar interno das empresas. Nesta entrevista, Bellone explica como executivos e empresas podem atravessar o momento atual e desenvolver negócios ao lado de seus colaboradores:

 

Home Office, lay-off, férias coletivas, adoção de medidas provisórias do governo federal, suspensão de contratos e redução de salários. Como as questões trabalhistas são mediadas com os colaboradores?

Tanto em nossa consultoria quanto aos nossos clientes a recomendação é trabalhar com transparência absoluta, explicar claramente a situação financeira da empresa e explicar todos os ajustes que serão feitos para não personalizar qualquer decisão. Logo na comunicação recomendamos dar respostas dia a dia ou semanais de como continua o negócio e ações nas semanas seguintes.

 

Existe uma forma correta de comunicação nesta tomada de decisão com impactos diretos em toda a corporação?

Não existe uma forma correta, temos que entender as necessidades de cada pessoa. Há pessoas onde uma redução salarial pode significar bastante, enquanto outras ficam mais preocupadas pela promoção desejada que não vai acontecer ou pela possível perda do seu time de trabalho. Cada pessoa é diferente e a comunicação deve ser empática com cada uma. Algumas pessoas simplesmente podem ser notificadas e para outras é necessário bater um papo e dar explicações mais detalhadas da situação. É bom ser estratégico e transparente para não gerar confusões nas empresas.

 

Como seguir gerando sinergias e resultados sustentáveis em tempos tão únicos? É possível também medir o fator emocional dos colaboradores?

A pandemia é uma oportunidade chave para ficar mais perto dos colaboradores, entender suas situações e angústias. Com a aproximação podemos detectar a falta de produtividade e isso pode servir como um indicador para medir o fator emocional da pandemia.

 

Ouvimos muito que a retenção de talentos é proporcionar um modelo justo de oportunidade de carreira, baseado na cultura de meritocracia. Como são aplicados os processos de avaliação de competências?

Hoje acaba sendo mais difícil avaliar as competências das pessoas porque estamos em uma situação atípica. Acredito que devemos ter certo grau de compreensão às quedas na produtividade, mas ao mesmo tempo devemos detectá-las rapidamente e com criatividade, dar alternativas adequadas para que a avaliação de competências consiga cumprir no curto prazo os padrões desejados.

Analiso que a situação vai continuar assim por bastante tempo, por isso também recomendo que as avaliações negativas sejam refeitas mês a mês para medir o grau de aceitação dessa pessoa com a situação atual e como isso repercute na empresa.

 

Conseguir colocar pessoas certas nas posições certas é o maior desafio dos profissionais de RH?

Acredito que o maior desafio é encontrar as pessoas certas, pessoas boas, com boa personalidade e com vontade de trabalhar e aprender. Depois disso, temos o desafio de colocar as pessoas certas nos locais certos.

 

Em quais modos as crises podem revelar crescimentos, capacidades criativas e esforços de superação de limites nas pessoas?

O pior das crises é a falta de perspectiva ao longo prazo, cada pessoa reage do jeito que consegue reagir. Existem aqueles que conseguem evitar o problema, pessoas que não conseguem evitar e podem ficar deprimidas ou ainda outras que simplesmente se adaptam. O importante das crises é como cada pessoa fica depois dela, do que aprendemos, em quais coisas melhoramos ou como podemos reagir às próximas crises. Estes são pontos que vão determinar o quão melhores somos depois da crise.

 

Culturas e gerações diferentes. Como uma empresa pode disponibilizar a sua gestão de pessoas e de educação corporativa em um momento de pandemia?

É bom escutar os mais experientes que passaram por crises, que contem as receitas para entender sobre como podemos ser melhores. E essas receitas não só do lado emocional, mas no financeiro, produtivo e comercial, entre outros.

 

Sobre o agora. Toda uma cultura de inovação e liderança precisam ser revistas? A atração de novos talentos é paralisada? Mudanças por ambientes mais colaborativos são freadas ou ganham impulso em momentos de crise?

É difícil determinar como vamos continuar. Muitas empresas vão trabalhar grande parte do tempo home office, tem pessoa que aprendeu a comprar e/ou organizar reuniões virtuais, e como somos seres sociais, com certeza vamos diminuir o contato, ainda que muitos vão sentir também a importância que é ter contato com o outro. Por isso, o desafio para muitas empresas vai ser encontrar esse equilíbrio entre o virtual e o presencial.

 

Crédito: Artesania Comunicação Jurídica

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