ComércioComo o varejo em Porto Alegre e Canoas pode levantar?

14 de maio de 2020por Artesania0
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Em entrevistas para a série especial sobre os cenários e impactos causados pela Covid-19 no comércio, o escritório Machado França Advocacia traz depoimentos de quem está na ponta: àqueles diretamente afetados como os lojistas e as equipes de vendas.

Supervisor de promotores de vendas em uma cia internacional com atendimento em lojas do varejo, shoppings e supermercados em Porto Alegre e Canoas, ele prefere o anonimato ao transmitir a realidade: “Com o fechamento das lojas, muitos lojistas estão com estoque cheio, fazendo com que não comprem das indústrias. Nós, fornecedores, devemos auxiliar a impulsionar o que já foi distribuído para retomar a venda para a matriz”.

Lojista da Fusofer, empresa familiar especializada em comércio de parafusos e ferramentas, a empresária Clediane Fernandes expressa o momento atual: “Estamos bem cautelosos e refazendo o nosso planejamento orçamentário. Acreditamos que as vendas e o comércio em geral irão normalizar a partir do segundo semestre de 2020”.

Das saídas para a crise, ambos sentem os impactos e têm em comum as incertezas futuras. Para o agora, ficam as lições da trajetória. Acompanhe parte das duas entrevistas:

 

– Supervisor de vendas para grandes redes (preferiu anonimato)

Com as determinações de fechamento dos shoppings, quais medidas foram tomadas para contornar a queda nas vendas?

“Em um primeiro momento, todos os funcionários receberam férias coletivas por 20 dias. Após esse período e avaliando ainda o afastamento, entramos em suspensão de trabalho por 30 dias, onde ao final será avaliado o possível retorno ou nova dispensa.”

 

Precisaram demitir profissionais?

“Sim, 10% dos profissionais da equipe foram desligados. Os restantes adiantaram 20 dias de férias e agora se encontram em suspensão do trabalho.”

 

 – Lojista da Fusofer, Clediane Fernandes:

“A redução das vendas foi em mais de 40% sobre o faturamento. A empresa tem um porte pequeno e não está tecnologicamente preparada para as vendas digitais. Isso causou um transtorno enorme financeiro”.

O relato sincero de Clediane Fernandes mostra as perspectivas dos negócios. Veja em detalhes:

 

Como driblaram a perda de faturamento?

“Não conseguimos contornar o baixo faturamento, pois não estávamos preparados digitalmente. Não tínhamos como acessar a nossa plataforma de vendas em home office.”

 

Precisaram rever flexibilização de horários, segurança aos colaboradores, vendas digitais, revisão de planejamento ou investimentos? Qual o percentual sobre as vendas?

“Após as férias coletivas de 15 dias, voltamos ao atendimento ao público, porém com portas fechadas, com entrada controlada de clientes. Suspendemos 50% dos contratos dos funcionários por 60 dias. Fornecemos EPI’s para os funcionários e orientamos as medidas de cuidados. Alteramos os horários de expediente para fora do pico de transporte público.

A empresa tem um porte pequeno e não está tecnologicamente preparada para as vendas digitais, isso causou um transtorno enorme financeiro.

Anualmente fazemos o planejamento orçamentário na empresa. Tínhamos previsto a contratação de mais 03 pessoas e a reestruturação física e digital da empresa. Hoje, existem contratos suspensos e possibilidade de demissões.

A redução das vendas foi em mais de 40% sobre o faturamento.”

 

Qual a leitura atual sobre consumo?

“Nossos clientes são majoritariamente indústrias, mecânicas e autônomos. Percebemos uma diminuição expressiva no consumo por parte dos profissionais autônomos. As indústrias variam bastante, algumas pararam sua produção, outras continuam normalmente. Porém, praticamente todos nos ligam pedindo compreensão e flexibilização nos pagamentos.”

 

Das medidas do governo voltadas à manutenção das empresas e empregos. Precisaram dispensar ou conseguiram manter todos os profissionais?

“Ajudaram bastante as medidas do governo. Manteremos todos os colaboradores por pelo menos mais 60 dias. Porém, se não houver um aumento significativo no faturamento, existe a possibilidade de demissões.”

 

Por fim, quanto à recuperação, vejamos o que nos dizem os nossos entrevistados:

 

Como retomar as vendas?

 “Com o fechamento das lojas, muitos lojistas estão com estoque cheio, fazendo com que não comprem das indústrias. Nós, fornecedores, devemos auxiliar a impulsionar o que já foi distribuído para retomar a venda para matriz.”

(supervisor de vendas para grandes redes)

 

“Estamos bem cautelosos e refazendo o nosso planejamento orçamentário. Acreditamos que as vendas e o comércio em geral irão normalizar a partir do segundo semestre de 2020.”

(Empresária Clediane Fernandes)

 

Realidade em Canoas e Porto Alegre

A Prefeitura Municipal de Canoas tornou as medidas mais rígidas quanto ao descumprimento das normas de enfrentamento ao coronavírus estabelecendo horário para funcionamento de determinadas atividades. Além disso, o Município seguirá integralmente o Modelo de Distanciamento Controlado do Rio Grande do Sul que classifica a cidade com a bandeira laranja.

Já no Município de Porto Alegre, que também é classificado com a bandeira laranja no Modelo de Distanciamento Controlado do Rio Grande do Sul, foi permitido o funcionamento de lojas de rua e com limite de faturamento de R$ 360 mil ao ano. Porém, essa flexibilização não vale para serviços considerados não essenciais em shoppings e centros comerciais, os quais permanecem fechados.

O escritório Machado França Advocacia segue o compromisso em informar e trazer análises relevantes sobre o setor varejista gaúcho. Sigam nossa série.

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