Cenários e Impactos da Covid-19“Não é hora de lucrar, mas sim de sobreviver”

22 de junho de 2020por Artesania0
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Até a semana passada, 96,4% dos lojistas de shopping center relatavam queda nas vendas após a retomada e pouco mais de 30,5% dos lojistas tinham no e-commerce a manutenção dos negócios em Porto Alegre. Some a esta realidade ao setor, novas e rígidas restrições de funcionamento, agora com a elevação da bandeira vermelha na capital.

 

Em uma entrevista exclusiva para a Machado França AdvocaciaPaulo Kruse, presidente do Sindicato dos Lojistas de Comércio de Porto Alegre (Sindilojas), entidade que defende cerca de 18 mil empresas, mostra que uma segunda onda de fechamento do comércio de rua, shoppings e todos os serviços não essenciais trarão impactos diretos nos empregos. A exceção é apenas para microempreendedores individuais (MEIs), profissionais liberais e autônomos. “O resultado será muitas empresas fechadas e um desemprego ainda maior”. Entre as recomendações e cenários, Kruse pontua ações práticas aos empresários. “Com a pandemia se estendendo para além do que imaginávamos, esperamos, sim, conseguir novas alternativas para evitar o desemprego, pois precisamos agir com cautela, negociar despesas e frear gastos ao máximo para manter nossas empresas de pé”. Acompanhe:

 

O comércio em Porto Alegre passa por uma reinvenção? Como o Sindilojas tem atuado?

O comércio, não apenas da capital como do mundo inteiro, passa por uma reinvenção, acelerada devido à pandemia de coronavírus. Se antes dos últimos turbulentos meses em que vivemos já ressaltávamos a importância da qualificação, de se estar atento ao que as empresas do setor já vêm fazendo em outros países, às novidades que chegam para trazer maior agilidade aos processos e comodidade para nossos clientes, agora, com a pandemia, isso se tornou urgente. O Sindilojas Porto Alegre promove diversas iniciativas que convidam os lojistas a saírem de sua zona de conforto, muitas das quais gratuitas. A Feira Brasileira do Varejo, cursos e Cafés com Lojistas, são alguns exemplos. E, em tempos de distanciamento social adotamos as lives em nossas redes sociais, em que trazemos especialistas para conversar sobre temas importantes para o varejo com os empresários, assim como cursos remotos. Há mais de dez anos também contamos com conteúdos exclusivos em nossa revista, a Conexão Varejo, publicação que reforça a necessidade de estar em constante mudança. Na parte de serviços e produtos, estamos sempre em busca das melhores soluções para auxiliar os lojistas no que for preciso. Quem nos acompanha está muito bem amparado.

 

Qual a leitura atual sobre o mercado? O consumidor segue priorizando apenas produtos essenciais?

O momento é delicado para o varejista, pois, obviamente, em função de tantas incertezas e do cenário econômico em que vivemos houve um recuo no consumo de itens não essenciais. Entretanto, entendemos que sempre vai haver a procura por todos os tipos de produtos, mesmo que em menor quantidade, e é isso o que mantém muitos negócios ativos durante a pandemia. Entendemos, inclusive, que existem segmentos que conseguiram se destacar neste período, como o de cama, mesa e banho, móveis e alguns segmentos de vestuário, quando muitos dos consumidores adaptaram as suas rotinas e atividades para casa. Certamente, quem já vinha dedicando atenção aos canais digitais ou quem aprendeu, mesmo que nas últimas semanas, a se relacionar com os clientes e a vender pela internet, conseguirá atravessar a crise. A leitura que precisamos ter deste momento é que não é hora de lucrar, mas sim de sobreviver, com paciência e resiliência.

 

Fechamento das lojas. Como ajudar os pequenos lojistas? Das medidas provisórias voltadas à manutenção das empresas e empregos. As demissões estão acontecendo em massa no comércio? Medidas federais estão suficientes ou foram tímidas perto da realidade em 3 meses da pandemia?

O Sindilojas Porto Alegre, desde o início da pandemia, está se mobilizando incessantemente para conseguir as melhores condições possíveis para ajudar os lojistas a enfrentarem esta crise. Podemos citar como exemplo a negociação que realizamos junto à CEEE, companhia de energia elétrica da nossa cidade, para evitar que as cobranças fossem realizadas a partir da média de consumo das lojas, já que estivemos por bastante tempo de portas fechadas. Em relação à manutenção dos empregos, nossa assessoria jurídica já estava atuando junto aos órgãos competentes para flexibilizar as regras da Convenção Coletiva de Trabalho e adotar medidas específicas para a categoria no momento atual antes que o Governo lançasse o seu programa. Mas agora, com a pandemia se estendendo para além do que imaginávamos, esperamos, sim, conseguir novas alternativas para evitar o desemprego, pois  precisamos agir com cautela, negociar despesas e frear gastos ao máximo para manter nossas empresas de pé.

 

Como é possível resgatar os empregos perdidos no comércio? Lojas que demitiram com a pandemia poderão ter gastos ainda maiores com recontratações futuras?

Passando a pandemia, por um período indeterminado as empresas precisarão focar no básico, até que a economia se recupere. O cenário é complicado no geral, não apenas no comércio. Por isso, como não podemos contar com uma previsão certa de recuperação, o foco deve ser manter os empregos sobreviventes primeiro. No segundo momento, passada a turbulência, com a melhora do potencial de consumo da população, sim, teremos condições de resgatar os empregos perdidos. Viveremos nos próximos meses o reflexo de uma crise sem precedentes, portanto, cada passo dado será com o máximo de cautela.

 

Portaria havia liberado o uso de provadores em lojas de shopping e centros comerciais. A ação foi reivindicação do Sindilojas? É possível mensurar o tamanho do impacto em perdas do setor de vestuário e calçados ou do quanto foi evitado com a mudança?

A atuação do Sindilojas Porto Alegre vem sendo intensa, e para isso, o diálogo com os nossos governantes é frequente. Nos reunimos com o Prefeito Municipal de Porto Alegre pelo menos uma vez por semana. Compreendemos e incentivamos que sejam obedecidas todas as medidas sanitárias e de distanciamento social para frear a transmissão do vírus, mas acreditamos que não existe em nosso país a possibilidade de fazermos um lockdown ou de termos a proibição de algo que é fundamental para o funcionamento dos negócios. Entendemos que se cada pessoa agir com responsabilidade e fizer a sua parte, tanto lojistas quanto os consumidores, não há motivo para bloquear o uso. Ainda não conseguimos mensurar o quanto o setor perdeu devido à proibição de uso de provadores no início da retomada, nem o quanto foi evitado com a liberação. O que percebemos é que cada anúncio realizado por parte do Prefeito, mesmo que informal, tem impacto direto no comportamento do consumidor.

 

96,4% dos lojistas de shopping center relatam queda nas vendas após a retomada. Como os lojistas e franqueados podem ser ajudados? O Sindilojas atua na mediação de revisão de valores de aluguéis nas lojas nos centros comerciais?

Estamos orientando os lojistas a procurarem seus locatários e realizarem as negociações individualmente. Em relação aos shoppings e centros comerciais, cada empreendimento se comporta de uma maneira, uns com mais flexibilidade, outros com menos. O Sindilojas Porto Alegre está sempre disponível para se envolver quando necessário. Estamos dialogando com as administrações de shoppings para a redução dos aluguéis e já obtivemos avanços, mas é preciso uma flexibilização ainda maior e estamos negociando para isso.

 

Vendas digitais. Ainda é uma realidade distante para a maioria dos negócios?

Um levantamento realizado pelo nosso Núcleo de Pesquisa em abril indicou que somente 30,5% dos lojistas atuavam com vendas online naquela época. Isso é extremamente preocupante, pois este é um formato de consumo que já vinha crescendo e que foi acelerado com a pandemia. Acreditamos que muitos dos que ainda não realizavam vendas digitais naquele momento se deram conta dessa necessidade e esperamos que hoje, após dois meses desta pesquisa, tenham adequado os seus negócios a esta realidade. Não é mais uma questão de escolha. Precisamos nos adaptar.

 

Qual a análise do Sindilojas sobre uma segunda onda de fechamentos do comércio com a pandemia?

A primeira já foi bastante preocupante e o resultado será muitas empresas fechadas e um desemprego ainda maior. Torcemos para que a população se conscientize e que todos possam seguir com suas atividades neste “novo normal”, respeitando o uso de máscara, álcool em gel e distanciamento, para que saiamos desta situação o mais rápido possível sem prejuízos maiores.

 

Créditos: Artesania Comunicação Jurídica

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